quarta-feira, 27 de julho de 2016

Se não houver

«Se não houver frutos, valeu a beleza das flores. . . Se não houver flores, valeu a sombra das folhas . . . Se não houver folhas, valeu a intenção da semente . . .»  
Henfil

segunda-feira, 4 de julho de 2016

De livros e feridas


"Temos que sair da vida com a firme convicção de que temos demasiada pele para que as ferias nos possam derrotar.
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Cada cicatriz ficará aqui para contar a minha história e no fim da vida terei de agradecer  todas aquelas linhas em mim. Elas farão ser livro, tomo, trilogia e isso será tudo o que terei para contar, aquilo que me quer dizer cada ferida, aquilo que me ensinou cada golpe, a enciclopédia inacabada da vida. "
- Marwan -


terça-feira, 7 de junho de 2016

That's Life


Tudo na vida tem um preço

Durante a vida projectas situações no tempo, sonhos e objectivos. Quando chegam no momento em que já não esperas ou chegam naquele limiar do tempo em que estas no limite da tangibilidade do real, a coisa complica. Complica porque existem sonhos e objectivos que têm sentido no tempo certo. A vida é um constante renovar de objectivos e sonhos, porque alguns não o são, e outros porque é necessário deixar-los morrer e abdicar deles porque o tempo passa. E abdicar, muitas vezes, não é prova de resignação, mas sim de inteligência, porque não vale a pena desgastarmo-nos com coisas que não dependem de nós. Isto do “porquê” e do “agora” tem tanto que se diga…
Sempre tive um objectivo de vida -não posso considerar sonho-, que já o via distante, já estava quase a desaparecer da linha do meu horizonte. Acontece que a possibilidade de concretização desse objectivo chega no limite do prazo, quase na hora em que a porta esta a fechar para o voo sair. Confesso que isto me desequilibrou, física e emocionalmente ao ponto de me ter de recolher ao meu espaço, ao “meu mundo”, porque a situação obriga a repensar tudo, e quando digo tudo, é mesmo TUDO. Não é fácil e não é de ânimo leve que chegas a esta altura da vida e tens de te questionar sobre o que és, onde estás, o que queres, o que representas. Com o passar dos anos vai custando mais abdicar, do que da "aventura" ganhar e arriscar. E é este processo de interpelação de ti e para ti, que te vais apercebendo de quem é o quê na tua vida e quem és tu nessa mesma vida. São também nestes momentos de recolha que as pessoas se definem e se revelam. 
O desafio está no meu ADN, o impulso é forte…mas existe um grande “mas” do meu porto e do meu chão, que no fim, marca o que sou!  

E agora?
Já não é de agora que fico com a sensação que sempre quis viver rápido e acabei sempre por chegar atrasado...ou mesmo não sair do mesmo lugar. E agora é tempo de ir em frente…de corpo inteiro, em paz, seja lá para onde for…. nem que seja neste mesmo lugar, mas com a certeza que já nada vai ser como antes...e com um preço a pagar!
Viver é grátis, mas tudo na vida tem um preço...      

sábado, 21 de maio de 2016

O pai natal afinal é careca

A idade não é sinal de maturidade, mas inevitavelmente a idade traz as situações, as vivências, os passos dados, os kilometros percorridos e os erros cometidos. A idade é experiência e vivência. Os erros fazem parte do crescimento, as opiniões são vagas se não são vividas e assimiladas, a dor tem de ser vivida e é útil porque dá equilíbrio ao ser humano (paradoxo real e absoluto), as perdas são necessárias para nos centrarmos...e enquanto vais caminhando e ganhando experiência vês que: 
Se sabes claramente o que queres, não cometes o mesmo erro duas vezes...
Se gostas verdadeiramente de alguém...essa pessoa torna-se o centro da tua vida de forma natural..
Às vezes temos de definir as prioridades...e às vezes temos de deixar para trás outras coisas que gostamos...
Quando se gosta, abdicamos do "eu" para ganhar o outro...de forma natural e sem pedidos de atenção.
Muita gente encara o gostar como um troféu...que se passeia na rua...
A essência das pessoas não muda...e que muitas vezes gostamos das pessoas não pelo que nos mostram, mas por aquilo que imaginamos que elas sejam...
As palavras são bonitas...mas pessoas definem-se pelas acções..
Quem não valoriza o teu silencio também não valoriza o as tuas palavras...
Os presentes conquistam momentaneamente, mas os verdadeiros gestos são gratuitos...e perduram.
Se tentas mudar alguém, ou alguém te tenta mudar...sinal que te deves mudar. Não é esse teu lugar.
Só te engana quem confias, por isso cuidado em quem confias....
O que não te soma subtrai-te...
Estar sozinho não faz de nós uns solitários. Estar rodeado de pessoas erradas é a coisa mais solitária do mundo...
.........

E no final...a realidade é só uma:
"As únicas pessoas que tu precisas na tua vida são aquelas que te provam sob qualquer circunstancia que necessitam de ti na vida delas"

Todos temos pessoas que gostam de nós, mas não necessitam de nós! 




segunda-feira, 25 de abril de 2016

Nosso eu

Manter o meu eu, esse eu interior, porque esperar não é a melhor forma de ser livre, muito menos depender nossas esperas do que não controlamos. Entre fazer o que quero e o que está correto, por mais que custe, escolho e escolherei sempre o segundo. Não vou impor a minha presença a quem não a necessita, nem opinar sobre que não sei, muito menos julgar. As perguntas dão respostas, a partilha dá significado.

A coisa mais difícil que temos de fazer é sermos nós mesmos nesta vida. Digo ser fiel a nós mesmos. Não nos deixarmos levar pelo sistema, pelos outros, comunicação social, redes sociais, pelo caminho, pelas inseguranças, pelo medo…estamos neste ponto? Eu já menti muito a mim mesmo para não ser o “estranho”, para agradar, para me encaixar, para ser aprovado, apreciado…e como doeu! Hoje as pessoas não têm medo de não serem livres, sentir a dor e de mentir. Eu hoje sei onde esta a minha liberdade. Está dentro, não fora! A minha liberdade foi assumir o que amava, o que fazia a minha alma pulsar, o que passava aqui dentro. A vida é um eterno comprometer-se em nos tornarmos no que somos…precisamente no momento quando todos querem ir para um lado e o teu coração te pede para ires para o outro…quando todos fazem as coisas de uma forma, e o teu interior te diz que não é por aí…! Isso acontece-nos todos os dias, na verdade traímo-nos nas pequenas coisas. Vamo-nos “treinando” diariamente em não escutar essa voz interior e depois dizemos que não temos intuição e capacidade de “ver”. É necessário ser firme, ter coragem, e ficar connosco. O mundo vai querer tirar o nosso centro…o verdadeiro centro que está no interior, não no exterior.

segunda-feira, 14 de março de 2016

A vida...

As vezes a vida passa por nós e leva-nos à frente sem qualquer tipo de contemplações.
O que somos, o que passamos, os sofrimentos, o que nos aconteceu, a nossa essência, os sacrifícios, o que demos, o que lutamos, as nossas conquistas, o nosso trajecto, o bem que fizemos...de nada serve para esses momentos.
Sentimo-nos à deriva e questionamo-nos o que de tão mal fizemos para que tanta coisa nos aconteça e gera sofrimento. Sentimos revolta e questionamos a vida.
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Tudo isto é errado! Descobri que tudo isto é errado.
Em vez de nos questionarmos que mal fizemos para a vida ser tão dura para nós, devemos perguntarmo-nos o que é que a vida nos quer ensinar com o que nos está a acontecer.
Esta abordagem marca a diferença entre o queixar e o aprender. A vida, as vezes, é dura porque é a única forma que encontra para nos ensinar a crescer.

Escrevo isto por questões profissionais, mas na vida pessoal é a mesma coisa. Tudo uma questão de como enfocamos a vida.



terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Outro dia

E com o amanha que se transforma no hoje, chegou e com ele mais sentires, sentimentos, emoções e recordações. Desperto cedo, muito cedo. A cidade ainda está deserta e vagueio por estas ruas, estas ruelas e sítios que já tinha estado, mas nessa altura escuros. Nessa altura tudo era escuro. Tantos lugares desconhecidos, mas que sento tão meus, tantas vezes imaginados e esperados para conhecer. Apenas faltou tua chamada para eu ir, e tu para me levares. Aos poucos a cidade começa a ganhar vida e já manhã alta, no meio do turbilhão de gente, la chegas tu. Tens ar cansado. E tu levas-me para sítios já descritos por ti e construídos na minha mente. Confesso que os locais são mais bonitos do que imaginei. O vento do brasil…os cheiros misturados com o teu cheiro, os sorrisos e esse lugar que um dia imaginei percorrer contigo. As fotos, os olhares, a paisagem, o mar, o horizonte e tudo o que foi dito pelo silencio das palavras não ditas. Contenho-me, mudo de discurso e disfarço para não notares nada que tenho nos olhos.
Perdido pelas curvas da terra e da vida, este local…este sitio! Este sitio que nunca estive, mas que já vi, já o tinha imaginado. Já estive neste lugar, não sei explicar, mas já sonhei com isto. Não imaginei o peixe que comi, mas já senti isto. Os barcos, as cores, o monte ao fundo e o mar. Está cá tudo, até tu estás. Converso contigo e arrancas da minha boca algumas duvidas, sendo que outras já desisti de entender, ou porque não quero entender. O teu olhar não é o mesmo. O teu olhar não tem o mesmo brilho. O olhar não engana! O olhar que me fez apaixonar está diferente, esse olhar que foge agora em direção ao mar…essas lágrimas. As lagrimas dizem tudo, ou quase tudo. Neste momento era tão fácil “puxar” por ti e obrigar-te a deitar tudo cá para fora. Parei…não quis ir por aí, senti “misericórdia” misturado com medo. A resposta és tu que a tens e eu prefiro continuar perdido neste momento, não quero sentir-me no meio de nada muito menos num olhar que não é meu, que não é meu. O teu olhar é do mar…perde-se no horizonte.
Depois, mais tarde, a visita…la no alto. Conversa interior, que palavras não descrevem. Momento único…momento. Toca-me a simplicidade e a presença que aqui sinto. Toca a paz e o meu pensamento para alguém que é teu…que partiu mas não te deixou.
À medida que o dia corre, começo a sentir um aperto cá dentro. Aquela sensação de querer fazer parte, mas estar enjaulado nas circunstancias da vida, ou melhor...nas circunstancias que não escolhi. Não posso aceitar convite. Não seria racional…não quero comprometer nada, ser “motivo para”, estragar festa nem transformar um momento de alegria em “peso” ou pesar. O meu lugar não é aí…por mais gostasse de estar. Sou o estranho, o estrangeiro, o forasteiro, o ausente, o distante, o….sou o elo mais fraco disto tudo.
O resto do dia é já sem ti. Na praia, ao som de musica, sorrisos e partilha. Derrubar muros e partilhar vidas. No fundo é o melhor das pessoas, quando desamarramos nossas fraquezas e partilhamos o que somos, como somos. Obrigado miúda (uso esta expressão em forma de carinho)! Obrigado, de coração. Conheci-te com 6 meses de atraso.
E no fim, ca fico eu, no meu lugar. Entregue a mim e perdido no meio das calçadas da cidade. Depois de algumas tentativas, e já escuro, ganho coragem e vou. Fico aqui parado do outro lado da rua. Numero é o 67, podia ser outro, mas não, este é o numero. Aqui…e ali dentro passa pela minha cabeça milhões de palavras que trocamos, imagens, momentos, sentires, sentimentos, sorrisos, partilha, companhia…esse lugar sonhado, vivido, sentido, mas não realizado. Aqui ao lado, ali mesmo do outro lado, mesmo ali. Muita coisa vem à minha mente…que fica deste lado, aqui dentro.
Guardo a imagem…serve para não esquecer

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Onde estás?


Minha vez de chegar

Foi coincidência, pura coincidência este desencontro da vida e estes encontros de datas. Faz um ano que esperava por ti quando tu chegaste e os meus olhos encontraram-se com os teus, foi ali o meu primeiro olhar, mas também respirar, abraço, sentir e teu momento. Foi ali que encontrei o meu cais. Encontrei-te à saída das chegadas. Será que as “saídas” são o melhor local para se encontrar alguém? Estranho, mesmo estranho! A minha vida tem sido feita de partidas e chegadas…e tanta gente me deixa nas saídas, e quase ninguém me espera nas chegadas. Curioso, nunca tinha dado conta disto…logo eu que quando comecei esta vida imaginava ter alguém especial à minha espera nas chegadas. Nunca recebi um abraço à chegada…
Em outra porta, em outra saída, é a minha vez de chegar. Não é a primeira vez que cruzo esta porta, mas convenci-me que a anterior não existiu. Saio devagar, com calma e calmo. Estou sereno. A minha parte racional diz-me que, ao exemplo de tantas outras chegadas, não tenho ninguém à minha espera. Racionalmente só pode ser assim! Olho à minha volta e não encontro ninguém, não te encontro. Isto de ser emocional trai-nos muitas vezes. Este foi o primeiro embate daquilo que ando à semanas a treinar: R a c i o n a l i z a r. Levanto o carro e estou a entrar quando alguém me pergunta se vou para a cidade. Eu digo que não. Quero estar sozinho e construir minhas imagens e dar forma às recordações das conversas e descrições que tinhas feito. Quero tornar real os lugares que criei no meu imaginário! Não quero ruído. Estrada fora lá vou, está sol, dia lindo e devagar deixo os meus olhos ver, meus sentidos absorver, deixo-me ir ou já nem sei se me deixo levar.
Sentado aqui à tua espera, desvio o meu pensamento para tudo que não sejas tu. Não quero fraquejar, não quero dor. Ainda mergulhado neste pensamento, não te vejo entrar e quando dou conta estas aqui ao pé de mim. Olho-te nos olhos e desvio o meu olhar. Não sei mais nada, não me lembro o que disse, não me lembro o que disseste, não me lembro como te cumprimentei, nada! Não me lembro de nada. Fiquei cego pelo olhar. O não te olhar nos olhos é para me proteger...já me expus demasiado, e isso não me da força, torna-me fraco, despido. Saímos e não me lembro de mais nada, sei por onde passei, mas não recordo, não me lembro de nada e apenas começo a voltar a mim já restaurante. Não sei se foi pelo sabor da sopa, se pelo cheiro a caril ou ainda se pelo teu olhar. Sim, volto a olhar-te nos olhos e desta vez foste tu que desviaste. Falo de qualquer coisa, conversa de circunstancia, e começo a pensar e a sentir uma coisa de cada vez. Finalmente penso devagar. Até ali pensei tudo ao mesmo tempo.
Saímos e começo a conduzir, tu aqui ao meu lado, falas mas não te consigo ouvir, a única coisa que escuto são umas vozes na minha cabeça e um sentimento estranho. Já não te vejo à meses, mas a minha sensação é que ainda ontem estive contigo. A distancia e o tempo reduziram-se a 24 horas. Ontem ainda estive contigo. É o que sinto. A noção de tempo e distancia é tão estranha...   
Estrada fora reconheço alguns lugares, antes estavam escuros, desta vez com luz. Começo a digerir, sentir, ouvir, interiorizar e a ver. Aos poucos começo a ficar naquele estado que sempre me deixavas. Aos poucos, estar aqui faz esquecer muita coisa e minha única preocupação era manter “distancia”. Aos poucos começo a ver, aquelas casas, aquelas estradas, paisagens, aquela gente…aquele mar, aquele verde aquelas cores, aqueles cheiros, aquele silencio…sento-me parte, sento-me aqui. Isto sou eu, isto também é meu. Explicar isso? Não se explica, sinto. Os lugares que me levas, as fotos, os cheiros, a brisa, o vento as árvores, tu…tu aqui, mesmo quando interrompido pelo telefone. Depois tu a conduzir (conduzes bem) os erros e os lugares que mudaram de lugar, os sorrisos...a calma imensa.
Recordo cada lugar como meu…alguns roubados em fotos e outros marcados na alma.
Os momentos e as curvas percorridas são magia…vão muito mais alem do que aqui escrevo…e do que posso/devo escrever.
Acabo a tarde a cumprir a promessa de um abraço pendente, possivelmente que tinha de ser dado á mais tempo. Cumpro o que prometo. Aqui enquanto esperamos tu falas, não abordaria se não fosses tu.… escuto, é importante, mas fico com tudo (quase tudo) o que sinto, vejo-te muito mais além das palavras. O silencio também é uma forma de comunicar.
Gostei de te conhecer “miúda” do cabelo laranja! Sabes aquela sensação quando vês alguém pela primeira vez e parece que já conheces? E isso! E fazes-me sentir um dos teus e senti-me dentro desse teu mundo, tão só teu. E assim, os três, la vamos estrada fora matando saudades, a caminho de saciar a fome. Como seria bom que pudéssemos saciar a saudade como fazemos com a fome.
Tudo é uma descoberta, os sabores, os locais, as pessoas, absorvo tudo ao meu redor com medo de perder alguma coisa.
O tempo corre rápido, demasiado rápido e já é noite. Mais noite ficou com aquele despedir. Eu para um lado, tu para o outro. Vontade de olhar para trás, mas não me posso permitir. Entro no hotel, sento-me por alguns minutos e volto a sair. Perco-me pelas ruas da cidade, passo por alguns lugares familiares, percorro as vielas, e sento-me num muro. Aquele muro! Ali à minha frente está o mar e com ele as minhas memorias de lugares que criei com base no que dizias. Eu aqui tão perto a lutar para que o meu pensamento não saia daqui, não se afaste do meu corpo…e fico aqui no meio deste turbilhão, a nadar contra a corrente a enfrentar a força das minhas fraquezas e a por à prova o que me tornei…e na busca do que sou.
O dia acabou, triste e frio como tantos outros, possivelmente este mais escuro, mas amanha é novo dia, amanha…sigo.


       

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Na primeira pessoa

Acordei já a noite ia alta. Dor forte no maxilar e com sintomas febris que poucos dias antes já tinha sentido. Uma semana praticamente sem dormir, dores permanentes, garganta, ouvido, sem conseguir alimentar-me, medicação ineficaz, cara transfigurada e sem ninguém perceber bem o que se estava a passar…e outras cenas que nem adianta comentar aqui. Estava fora do país em trabalho. Isto foi o começo de duas semanas verdadeiramente alucinantes.
Já vou saber o ponto onde estou, se isto acaba hoje ou só agora começa …mas isso também nem é importante.

O importante, e é o que me faz escrever estas palavras, é que a vida confronta-nos perante situações que nos fazem colocar no nosso verdadeiro lugar, no nosso sítio, perceber o que somos, o que verdadeiramente temos e onde estamos. A vida tem formas estranhas, raras, muitas vezes brutas de nos dar lições. Sem contemplações, sem meios termos e de forma directa e frontal. Não existe analgésico nem anestesia que nos valham. É assim a vida, e é assim que devemos ser. Duas semanas em que a vida me devolveu a mim mesmo e me fez centrar no que verdadeiramente já fui, no que sou e onde estou!
A vida obrigou-me a parar:
Obrigou-me a baixar a terra, por os pés no chão, respirar de forma pausada e a reduzir-me à pequenez e à humilde noção que sou pequeno…
Falou-me do que sou, e que o ser humano é a mais bela criação do universo, apesar das nossas misérias…
Fez-me pensar nas pessoas que se cruzaram na minha vida, em que de alguma forma não fui suficiente e não estive à altura…
Mostrou-me que gastei demasiadas energias em situações e pessoas que não valem a pena…e fui displicente com outras, essas sim, que valem a pena…
Fez-me ver quem verdadeiramente está comigo…e o que significo para elas (sendo que o significado é o menos importante).
Comprovou-me que não me defino verdadeiramente pelo que digo, mas sim pelos meus actos e pelo que faço…
Ensinou-me a importância de priorizarmos determinados aspectos na vida…
Demonstrou-me que o verdadeiro amor “se mede” pela forma que te dás e não na medida que recebes…
Fez-me sentir que não há nada mais importante que estar em paz comigo próprio e com a consciência tranquila de na vida sempre lutar por tudo o que acredito, sempre de forma verdadeira, leal…e dando melhor que se sabe dar. É daqui que vem a verdadeira paz!
Sussurrou-me que quando ando triste, de sentimos vazios, deprimido, é porque centro a vida naquilo que não tenho, naquilo que espero receber, naquilo que está exterior a mim….e a verdadeira realização está no que dás e naquilo que realmente és…no que tens dentro de ti
Demonstrou-me que a satisfação momentânea não completa, não me preenche, pelo contrário, desgasta e esvazia-me…o que preenche é o que perdura…
Fez-me ver que sempre que não fui fiel a mim mesmo e às minhas crenças, sofri sempre…
E "falamos" de outras muitas coisas mais….ou melhor, a vida relembrou-me de muito o que eu já sabia e que no fundo todos sabemos…mas não queremos ver.

O passado não nos trás nada de volta, não resolve nada, não nos muda…e até deixa marcas, mas olhar para trás, se bem enfocado, não é mau, bem pelo contrario. Ter noção de onde venho é fundamental para definir o que quero. Se não tenho noção do trajecto percorrido, não sei definir o rumo e o caminho a percorrer e continuarei à procura do nada e coisas vagas e difusas. Isto não é um lamento, apenas uma constatação e encarar as coisas como são. As minhas crenças, movem-me, mas não posso esquecer que a vida é agora...e tenho obrigação de fazer melhor. 

Andava empenhado numa procura urgente de respostas para a minha vida….e eis quando essa mesma vida resolveu-me mudar as perguntas....   



domingo, 10 de janeiro de 2016

Querido 2016...

Tu chegaste já lá vão 10 dias, e apesar da tentação, este ano não quero muito de ti. Não quero mudar nada que já não tenha tentado com o teu irmão, o 2015! Não quero definir nenhum novo objectivo, apenas deixar-te passar e deixar-me levar…deixar-me levar por coisas simples.
Quero ver o por do sol e não me deitar sem ver o seu nascer…
Quero comprar um bilhete, sem regresso…
Quero rir mais de mim próprio…
Quero trazer sempre o meu corpo junto da minha mente…

Quero-me por à frente de mim mesmo…

domingo, 27 de dezembro de 2015

Quem leva os meus fantasmas....

"De que serve ter o mapa, se o fim está traçado?
De que serve a terra à vista, se o barco está parado?
De que serve ter a chave, se a porta está aberta?
Para que servem as palavras, se a casa está deserta?

Quem leva os meus fantasmas?

Quem me salva desta espada…e me diz onde é a estrada?"

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Sun & Moon

Descubro no mais profundo de mim recantos misteriosos que nem o meu ser consegue entender, muito menos explicar. Sentir a irracionalidade dos sentimentos é o mesmo que tentar perceber o que existe para além do universo. Procurar racionalizar sentires é o mesmo que querer contar as gotas que existem no mar. Não adianta questionar, por em causa, duvidar ou mesmo racionalizar. Basta sentir, basta conter e “domesticar” os sentires. Não entendo tudo, não sei nada. Perco-me na minha descoberta e encontro-me sempre no silencio mais profundo do meu ser, daquilo que sou. Negar o que sou, pode ser o caminho para o abismo e nem sempre mudar é a chave. Na grande maioria das vezes, a maior mudança reside em aceitar o que sou e apenas ser fiel a mim mesmo, sem complexos. Eu sou dia e noite, sol e lua e encontrar o equilíbrio entre a luz e a escuridão é o segredo da vida, e está sempre dentro de mim! Sou fraco, mas estou em paz comigo mesmo!
Hoje é o dia mais pequeno do ano, ou será que hoje é a noite mais longa do ano?


Não chove, o céu está escuro e está frio…e recordo quando foste o sol e lua para mim. 



terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Lugares do nada

Levantou-se a custo, cambaleando pela noite, partiu dali como quem se despede de algo que na realidade nunca teve, sentimento estranho, incompreensível, difícil de explicar de tantas incongruências que carrega em si mesmo. Caminhou sem rumo e sem destino quando viu uma luz leve e desfocada ao fundo da noite. Era a luz que procurava, sentiu ali a força necessária que o fez andar estrada fora, mesmo sem saber o que o esperava para alem da seguinte curva. Sentia o chão como nunca sentiu, as pequenas pedras do caminho pressionavam a palma dos pés e geravam um misto de dor e de prazer, não sei se por ter outras dores mais intensas, ou por ter os pés molhados pela chuva daquela escuridão. À medida que se aproximava, a luz ficava mais nítida e intensa. Com passadas mais largas e apressadas, esgueirando-se por entre as gotas da chuva, finalmente chegou. Não chegou à luz, porque se apercebeu que à sua frente estava o mar. A luz estava mais alem, em pleno mar, possivelmente num barco à deriva, ou um barco de um pescador que puxava a sua rede na ânsia desesperada de encontrar alguma coisa. O som do mar bravo misturava-se com o bater da chuva na sua cabeça e com o canto do vento…uma estranha sinfonia.
Ali, imóvel, no lugar de ninguém, sentou-se! A chuva batia cada vez com mais força e o vento gélido entranhava-se pelo corpo. Estranhamente não sentia frio, apenas um calor imenso que o chegava a incomodar. Levantou a cabeça, passou a mão no rosto e sentiu a agua salgado do mar nos seus lábios. As mãos tremiam, não do frio, mas do sentimento inseguro do momento ou do cansaço que carregava das noites escuras e das sombras. Sim, a noite cansa e a sombra corroí. Ali, em frente do nada, no lugar de ninguém, percebeu que estava no seu lugar, ali era o seu lugar, o seu momento. Ele era o nada, sentado naquela pedra que estava no meio do nada. Ali percebeu a insignificância de tudo e a imensidão do nada. Pela primeira vez sentiu-se vazio e esgotado; vazio do seu eu e esgotado pelo nada. A olhar o mar, os olhos encheram-se e pela face caiu uma lágrima que se misturou com a agua salgada do mar. Apesar do vento frio, continuava com calor, já transpirava! Deitou cá para fora todo o pouco que ainda tinha…
Ali percebeu que tudo na vida se cura com agua salgada…e lembrou as palavras do poeta: “A cura para tudo é agua salgada – agua do suor, das lágrimas e do mar”
Levantou-se para regressar, regressar àquele lugar estranho onde tudo lhe parecia distante e que lhe chamavam “casa”. Estrada fora caminhava quando começou a sentir frio, e com ele veio a noção que a vida corre, mas que nada mais seria como antes, nada voltaria a ser igual. A agua salgada lavou-o, limpou-o de tudo o que era, mas o sal entranhou-se na sua pele…perdeu o olfacto e a capacidade de acreditar. O sal conservava-o, mas ficou amargo e pálido. Construiu um falso sorriso e caminhou…

Estrada fora, apenas ficaram as marcas das pegadas na lama da estrada…

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Paradoxos

" A capacidade de estar sozinho é a capacidade de amar. Isso pode parecer paradoxal, mas não é. Essa é uma verdade existencial: somente aquelas pessoas que são capazes de estar sozinhas, são capazes de amar, de compartilhar, de ir profundamente ao encontro da outra pessoa, sem reduzir o outro a uma coisa e sem se tornar "viciado" no outro. Eles permitem que o outro seja absolutamente livre, porque eles sabem se o outro partir, eles serão felizes como agora . Estar sozinho é um lugar de encontro, de chegadas e partidas. Só se encontra e só volta a partir de novo, quem tem a capacidade de se parar!"
"Being in Love"

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Menu da vida...

“Adoro ouvir tua voz. Sinto que ao longo dos últimos dias fui lentamente redescobrindo em mim um sentimento nobre. Um sentimento que provavelmente nunca vais saber que nutri por ti. Gostava de te ter conhecido em outras circunstâncias. Engraçado como só agora percebo o que sinto por ti. Agora que a probabilidade de nos cruzarmos é diminuta. Agora que provavelmente nunca nos vamos ver. Mas tenho de te confessar uma coisa, mesmo tu não sabendo que é para ti. Todas as vezes que me meti contigo, todas as vezes que te contradisse, estava a alimentar esse sentimento. A vida não é perfeita, mas eu adoro viver (aliás, quando eu falecer gostava que escrevessem na minha lápide “Aqui jaz…que morreu contra a sua vontade”) especialmente por poder descobrir este sentimento, estas sensações. Podia na verdade dizer o que sinto por ti, mas não tenho necessidade de me expor e de te magoar. Não tenho esse direito. Tenho minha vida que declaradamente vai na direção oposta à tua. A tua vida está a começar. A minha vai a meio. Tens sonhos, ambições, o mundo à tua espera. Eu já percorri metade do mundo, não sabia que era à tua procura. Ficas para sempre na minha alma. Fizeste-me tornar a sonhar. Agora posso dizer sem magoar a mais ninguém “estou apaixonado por ti””

Texto escrito num menu de um restaurante...e um ano depois, tal como disse (tweet) então..."Por mais que custe, está na hora de não me aproximar e ocupar o meu lugar".  Ao que parece, o mundo mudou...eu é que não!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Tempo

"As pessoas falam tanto de tempo. como se ele curasse tudo. Ele também destrói, corroí, separa e muda as pessoas. O tempo que trás, é o mesmo que leva. Leva momentos, lembranças, amigos e amores. O tempo tem pressa."

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Partidas e chegadas...

Dezembro…início de Dezembro, já lá passaram anos. Sexta-feira ao fim do dia, muito frio, semana longa e complicada, exausto, só ansiava por chegar a casa. O lugar 14C seria o que me traria de Londres até ao Porto. Sabes quando vês uma pessoa e sem que te diga nada sentes uma proximidade com essa pessoa? Foi isso…foi isso que senti, com a pessoa que estava sentada ao meu lado. Seu olhar transparente e seu sorriso sincero chamou-me atenção.
“Quase caíamos na fila 13” (avião não tinha fila 13) disse-lhe eu. Ele soltou gargalhada. A viagem correu em amena cavaqueira, trabalho, coisas banais e até descobrimos que tínhamos dois nomes iguais…e assim chegamos ao Porto. Ele residia em Lisboa, mas por razoes profissionais ficaria uma noite no Porto e só depois regressaria a Lisboa. Aproveitando que estava só, disponibilizei para o deixar no Hotel. Inicialmente não aceitou, mas face a minha insistência, aceitou com a condição de me pagar a famosa francesinha!  
E foi assim, foi assim do nada que conheci o Pedro, que se tornou num grande amigo, aqueles verdadeiros amigos. Tínhamos formas diferentes de ver algumas coisas, mas partilhávamos comungávamos o fundamental. Abriu-me as portas de sua casa e da sua família, deu-me a conhecer o seu mundo e aprendi muito com a sua forma de encarar a vida. Nos últimos meses fui ele que me segurou…amarrou-me ao cais e não me deixou ir.
O Pedro era feliz, era uma pessoa feliz e tinha uma família feliz!

O Pedro partiu! Desconfio que Deus gosta de pessoas boas….como o Pedro. É a única explicação que tenho para ver partir um ser humano fantástico que ainda nem tinha chegado à ternura dos 40 e deixa família também ela incrível…e uma data de sonhos por realizar.

Estejas onde estiveres, quero agradecer e celebrar! Celebrar a vida, celebrar a tua vida apesar de já não estares entre nós. Agradecer a tua amizade, humanidade, presença, alegria, exemplo, disponibilidade, tua força, frontalidade, lealdade, sorrisos, calma, ponderação e de me fazer ver o outro lado das coisas quando necessitei.
Vou ter saudades das nossas conversas, da tua palavra amiga, das tuas mensagens “és grande” ou “olhos na bola”….ficam anulados teus sonhos e o que tínhamos em conjunto…ficou pendente esse maldito jantar que não devíamos ter marcado, a nossa viagem e aquela promessa…fica tanto por dizer Pedro...ficou tanto por dizer. Obrigado companheiro! Desculpa…desculpa Pedro! 

Sabes, fazes-me falta! Hoje…









Até um dia!