Durante a vida projectas
situações no tempo, sonhos e objectivos. Quando chegam no momento em que já não esperas ou chegam naquele limiar do tempo em que estas no limite da tangibilidade do real, a coisa complica. Complica porque existem sonhos e objectivos que têm sentido no tempo certo. A vida é um constante renovar de objectivos e sonhos, porque alguns não
o são, e outros porque é necessário deixar-los morrer e abdicar deles porque o tempo passa. E abdicar, muitas
vezes, não é prova de resignação, mas sim de inteligência, porque não vale a
pena desgastarmo-nos com coisas que não dependem de nós. Isto do “porquê” e do
“agora” tem tanto que se diga…
Sempre tive um objectivo de vida -não
posso considerar sonho-, que já o via distante, já estava quase a desaparecer da linha do meu horizonte. Acontece que a possibilidade de concretização desse objectivo chega no limite do
prazo, quase na hora em que a porta esta a fechar para o voo sair. Confesso que
isto me desequilibrou, física e emocionalmente ao ponto de me ter de recolher
ao meu espaço, ao “meu mundo”, porque a situação obriga a repensar tudo,
e quando digo tudo, é mesmo TUDO. Não é fácil e não é de ânimo leve que
chegas a esta altura da vida e tens de te questionar sobre o que és, onde estás, o que
queres, o que representas. Com o passar dos anos vai custando mais abdicar, do
que da "aventura" ganhar e arriscar. E é este processo de
interpelação de ti e para ti, que te vais apercebendo de quem é o quê na tua
vida e quem és tu nessa mesma vida. São também nestes momentos de recolha que as pessoas se definem e se revelam.
O desafio está no meu ADN, o
impulso é forte…mas existe um grande “mas” do meu porto e do meu chão, que no fim, marca o que sou!
E agora?
Viver é grátis, mas tudo na vida tem um preço...
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