sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Na primeira pessoa

Acordei já a noite ia alta. Dor forte no maxilar e com sintomas febris que poucos dias antes já tinha sentido. Uma semana praticamente sem dormir, dores permanentes, garganta, ouvido, sem conseguir alimentar-me, medicação ineficaz, cara transfigurada e sem ninguém perceber bem o que se estava a passar…e outras cenas que nem adianta comentar aqui. Estava fora do país em trabalho. Isto foi o começo de duas semanas verdadeiramente alucinantes.
Já vou saber o ponto onde estou, se isto acaba hoje ou só agora começa …mas isso também nem é importante.

O importante, e é o que me faz escrever estas palavras, é que a vida confronta-nos perante situações que nos fazem colocar no nosso verdadeiro lugar, no nosso sítio, perceber o que somos, o que verdadeiramente temos e onde estamos. A vida tem formas estranhas, raras, muitas vezes brutas de nos dar lições. Sem contemplações, sem meios termos e de forma directa e frontal. Não existe analgésico nem anestesia que nos valham. É assim a vida, e é assim que devemos ser. Duas semanas em que a vida me devolveu a mim mesmo e me fez centrar no que verdadeiramente já fui, no que sou e onde estou!
A vida obrigou-me a parar:
Obrigou-me a baixar a terra, por os pés no chão, respirar de forma pausada e a reduzir-me à pequenez e à humilde noção que sou pequeno…
Falou-me do que sou, e que o ser humano é a mais bela criação do universo, apesar das nossas misérias…
Fez-me pensar nas pessoas que se cruzaram na minha vida, em que de alguma forma não fui suficiente e não estive à altura…
Mostrou-me que gastei demasiadas energias em situações e pessoas que não valem a pena…e fui displicente com outras, essas sim, que valem a pena…
Fez-me ver quem verdadeiramente está comigo…e o que significo para elas (sendo que o significado é o menos importante).
Comprovou-me que não me defino verdadeiramente pelo que digo, mas sim pelos meus actos e pelo que faço…
Ensinou-me a importância de priorizarmos determinados aspectos na vida…
Demonstrou-me que o verdadeiro amor “se mede” pela forma que te dás e não na medida que recebes…
Fez-me sentir que não há nada mais importante que estar em paz comigo próprio e com a consciência tranquila de na vida sempre lutar por tudo o que acredito, sempre de forma verdadeira, leal…e dando melhor que se sabe dar. É daqui que vem a verdadeira paz!
Sussurrou-me que quando ando triste, de sentimos vazios, deprimido, é porque centro a vida naquilo que não tenho, naquilo que espero receber, naquilo que está exterior a mim….e a verdadeira realização está no que dás e naquilo que realmente és…no que tens dentro de ti
Demonstrou-me que a satisfação momentânea não completa, não me preenche, pelo contrário, desgasta e esvazia-me…o que preenche é o que perdura…
Fez-me ver que sempre que não fui fiel a mim mesmo e às minhas crenças, sofri sempre…
E "falamos" de outras muitas coisas mais….ou melhor, a vida relembrou-me de muito o que eu já sabia e que no fundo todos sabemos…mas não queremos ver.

O passado não nos trás nada de volta, não resolve nada, não nos muda…e até deixa marcas, mas olhar para trás, se bem enfocado, não é mau, bem pelo contrario. Ter noção de onde venho é fundamental para definir o que quero. Se não tenho noção do trajecto percorrido, não sei definir o rumo e o caminho a percorrer e continuarei à procura do nada e coisas vagas e difusas. Isto não é um lamento, apenas uma constatação e encarar as coisas como são. As minhas crenças, movem-me, mas não posso esquecer que a vida é agora...e tenho obrigação de fazer melhor. 

Andava empenhado numa procura urgente de respostas para a minha vida….e eis quando essa mesma vida resolveu-me mudar as perguntas....   



domingo, 10 de janeiro de 2016

Querido 2016...

Tu chegaste já lá vão 10 dias, e apesar da tentação, este ano não quero muito de ti. Não quero mudar nada que já não tenha tentado com o teu irmão, o 2015! Não quero definir nenhum novo objectivo, apenas deixar-te passar e deixar-me levar…deixar-me levar por coisas simples.
Quero ver o por do sol e não me deitar sem ver o seu nascer…
Quero comprar um bilhete, sem regresso…
Quero rir mais de mim próprio…
Quero trazer sempre o meu corpo junto da minha mente…

Quero-me por à frente de mim mesmo…