quarta-feira, 27 de julho de 2016

Se não houver

«Se não houver frutos, valeu a beleza das flores. . . Se não houver flores, valeu a sombra das folhas . . . Se não houver folhas, valeu a intenção da semente . . .»  
Henfil

segunda-feira, 4 de julho de 2016

De livros e feridas


"Temos que sair da vida com a firme convicção de que temos demasiada pele para que as ferias nos possam derrotar.
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Cada cicatriz ficará aqui para contar a minha história e no fim da vida terei de agradecer  todas aquelas linhas em mim. Elas farão ser livro, tomo, trilogia e isso será tudo o que terei para contar, aquilo que me quer dizer cada ferida, aquilo que me ensinou cada golpe, a enciclopédia inacabada da vida. "
- Marwan -


terça-feira, 7 de junho de 2016

That's Life


Tudo na vida tem um preço

Durante a vida projectas situações no tempo, sonhos e objectivos. Quando chegam no momento em que já não esperas ou chegam naquele limiar do tempo em que estas no limite da tangibilidade do real, a coisa complica. Complica porque existem sonhos e objectivos que têm sentido no tempo certo. A vida é um constante renovar de objectivos e sonhos, porque alguns não o são, e outros porque é necessário deixar-los morrer e abdicar deles porque o tempo passa. E abdicar, muitas vezes, não é prova de resignação, mas sim de inteligência, porque não vale a pena desgastarmo-nos com coisas que não dependem de nós. Isto do “porquê” e do “agora” tem tanto que se diga…
Sempre tive um objectivo de vida -não posso considerar sonho-, que já o via distante, já estava quase a desaparecer da linha do meu horizonte. Acontece que a possibilidade de concretização desse objectivo chega no limite do prazo, quase na hora em que a porta esta a fechar para o voo sair. Confesso que isto me desequilibrou, física e emocionalmente ao ponto de me ter de recolher ao meu espaço, ao “meu mundo”, porque a situação obriga a repensar tudo, e quando digo tudo, é mesmo TUDO. Não é fácil e não é de ânimo leve que chegas a esta altura da vida e tens de te questionar sobre o que és, onde estás, o que queres, o que representas. Com o passar dos anos vai custando mais abdicar, do que da "aventura" ganhar e arriscar. E é este processo de interpelação de ti e para ti, que te vais apercebendo de quem é o quê na tua vida e quem és tu nessa mesma vida. São também nestes momentos de recolha que as pessoas se definem e se revelam. 
O desafio está no meu ADN, o impulso é forte…mas existe um grande “mas” do meu porto e do meu chão, que no fim, marca o que sou!  

E agora?
Já não é de agora que fico com a sensação que sempre quis viver rápido e acabei sempre por chegar atrasado...ou mesmo não sair do mesmo lugar. E agora é tempo de ir em frente…de corpo inteiro, em paz, seja lá para onde for…. nem que seja neste mesmo lugar, mas com a certeza que já nada vai ser como antes...e com um preço a pagar!
Viver é grátis, mas tudo na vida tem um preço...      

sábado, 21 de maio de 2016

O pai natal afinal é careca

A idade não é sinal de maturidade, mas inevitavelmente a idade traz as situações, as vivências, os passos dados, os kilometros percorridos e os erros cometidos. A idade é experiência e vivência. Os erros fazem parte do crescimento, as opiniões são vagas se não são vividas e assimiladas, a dor tem de ser vivida e é útil porque dá equilíbrio ao ser humano (paradoxo real e absoluto), as perdas são necessárias para nos centrarmos...e enquanto vais caminhando e ganhando experiência vês que: 
Se sabes claramente o que queres, não cometes o mesmo erro duas vezes...
Se gostas verdadeiramente de alguém...essa pessoa torna-se o centro da tua vida de forma natural..
Às vezes temos de definir as prioridades...e às vezes temos de deixar para trás outras coisas que gostamos...
Quando se gosta, abdicamos do "eu" para ganhar o outro...de forma natural e sem pedidos de atenção.
Muita gente encara o gostar como um troféu...que se passeia na rua...
A essência das pessoas não muda...e que muitas vezes gostamos das pessoas não pelo que nos mostram, mas por aquilo que imaginamos que elas sejam...
As palavras são bonitas...mas pessoas definem-se pelas acções..
Quem não valoriza o teu silencio também não valoriza o as tuas palavras...
Os presentes conquistam momentaneamente, mas os verdadeiros gestos são gratuitos...e perduram.
Se tentas mudar alguém, ou alguém te tenta mudar...sinal que te deves mudar. Não é esse teu lugar.
Só te engana quem confias, por isso cuidado em quem confias....
O que não te soma subtrai-te...
Estar sozinho não faz de nós uns solitários. Estar rodeado de pessoas erradas é a coisa mais solitária do mundo...
.........

E no final...a realidade é só uma:
"As únicas pessoas que tu precisas na tua vida são aquelas que te provam sob qualquer circunstancia que necessitam de ti na vida delas"

Todos temos pessoas que gostam de nós, mas não necessitam de nós! 




segunda-feira, 25 de abril de 2016

Nosso eu

Manter o meu eu, esse eu interior, porque esperar não é a melhor forma de ser livre, muito menos depender nossas esperas do que não controlamos. Entre fazer o que quero e o que está correto, por mais que custe, escolho e escolherei sempre o segundo. Não vou impor a minha presença a quem não a necessita, nem opinar sobre que não sei, muito menos julgar. As perguntas dão respostas, a partilha dá significado.

A coisa mais difícil que temos de fazer é sermos nós mesmos nesta vida. Digo ser fiel a nós mesmos. Não nos deixarmos levar pelo sistema, pelos outros, comunicação social, redes sociais, pelo caminho, pelas inseguranças, pelo medo…estamos neste ponto? Eu já menti muito a mim mesmo para não ser o “estranho”, para agradar, para me encaixar, para ser aprovado, apreciado…e como doeu! Hoje as pessoas não têm medo de não serem livres, sentir a dor e de mentir. Eu hoje sei onde esta a minha liberdade. Está dentro, não fora! A minha liberdade foi assumir o que amava, o que fazia a minha alma pulsar, o que passava aqui dentro. A vida é um eterno comprometer-se em nos tornarmos no que somos…precisamente no momento quando todos querem ir para um lado e o teu coração te pede para ires para o outro…quando todos fazem as coisas de uma forma, e o teu interior te diz que não é por aí…! Isso acontece-nos todos os dias, na verdade traímo-nos nas pequenas coisas. Vamo-nos “treinando” diariamente em não escutar essa voz interior e depois dizemos que não temos intuição e capacidade de “ver”. É necessário ser firme, ter coragem, e ficar connosco. O mundo vai querer tirar o nosso centro…o verdadeiro centro que está no interior, não no exterior.

segunda-feira, 14 de março de 2016

A vida...

As vezes a vida passa por nós e leva-nos à frente sem qualquer tipo de contemplações.
O que somos, o que passamos, os sofrimentos, o que nos aconteceu, a nossa essência, os sacrifícios, o que demos, o que lutamos, as nossas conquistas, o nosso trajecto, o bem que fizemos...de nada serve para esses momentos.
Sentimo-nos à deriva e questionamo-nos o que de tão mal fizemos para que tanta coisa nos aconteça e gera sofrimento. Sentimos revolta e questionamos a vida.
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Tudo isto é errado! Descobri que tudo isto é errado.
Em vez de nos questionarmos que mal fizemos para a vida ser tão dura para nós, devemos perguntarmo-nos o que é que a vida nos quer ensinar com o que nos está a acontecer.
Esta abordagem marca a diferença entre o queixar e o aprender. A vida, as vezes, é dura porque é a única forma que encontra para nos ensinar a crescer.

Escrevo isto por questões profissionais, mas na vida pessoal é a mesma coisa. Tudo uma questão de como enfocamos a vida.



terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Outro dia

E com o amanha que se transforma no hoje, chegou e com ele mais sentires, sentimentos, emoções e recordações. Desperto cedo, muito cedo. A cidade ainda está deserta e vagueio por estas ruas, estas ruelas e sítios que já tinha estado, mas nessa altura escuros. Nessa altura tudo era escuro. Tantos lugares desconhecidos, mas que sento tão meus, tantas vezes imaginados e esperados para conhecer. Apenas faltou tua chamada para eu ir, e tu para me levares. Aos poucos a cidade começa a ganhar vida e já manhã alta, no meio do turbilhão de gente, la chegas tu. Tens ar cansado. E tu levas-me para sítios já descritos por ti e construídos na minha mente. Confesso que os locais são mais bonitos do que imaginei. O vento do brasil…os cheiros misturados com o teu cheiro, os sorrisos e esse lugar que um dia imaginei percorrer contigo. As fotos, os olhares, a paisagem, o mar, o horizonte e tudo o que foi dito pelo silencio das palavras não ditas. Contenho-me, mudo de discurso e disfarço para não notares nada que tenho nos olhos.
Perdido pelas curvas da terra e da vida, este local…este sitio! Este sitio que nunca estive, mas que já vi, já o tinha imaginado. Já estive neste lugar, não sei explicar, mas já sonhei com isto. Não imaginei o peixe que comi, mas já senti isto. Os barcos, as cores, o monte ao fundo e o mar. Está cá tudo, até tu estás. Converso contigo e arrancas da minha boca algumas duvidas, sendo que outras já desisti de entender, ou porque não quero entender. O teu olhar não é o mesmo. O teu olhar não tem o mesmo brilho. O olhar não engana! O olhar que me fez apaixonar está diferente, esse olhar que foge agora em direção ao mar…essas lágrimas. As lagrimas dizem tudo, ou quase tudo. Neste momento era tão fácil “puxar” por ti e obrigar-te a deitar tudo cá para fora. Parei…não quis ir por aí, senti “misericórdia” misturado com medo. A resposta és tu que a tens e eu prefiro continuar perdido neste momento, não quero sentir-me no meio de nada muito menos num olhar que não é meu, que não é meu. O teu olhar é do mar…perde-se no horizonte.
Depois, mais tarde, a visita…la no alto. Conversa interior, que palavras não descrevem. Momento único…momento. Toca-me a simplicidade e a presença que aqui sinto. Toca a paz e o meu pensamento para alguém que é teu…que partiu mas não te deixou.
À medida que o dia corre, começo a sentir um aperto cá dentro. Aquela sensação de querer fazer parte, mas estar enjaulado nas circunstancias da vida, ou melhor...nas circunstancias que não escolhi. Não posso aceitar convite. Não seria racional…não quero comprometer nada, ser “motivo para”, estragar festa nem transformar um momento de alegria em “peso” ou pesar. O meu lugar não é aí…por mais gostasse de estar. Sou o estranho, o estrangeiro, o forasteiro, o ausente, o distante, o….sou o elo mais fraco disto tudo.
O resto do dia é já sem ti. Na praia, ao som de musica, sorrisos e partilha. Derrubar muros e partilhar vidas. No fundo é o melhor das pessoas, quando desamarramos nossas fraquezas e partilhamos o que somos, como somos. Obrigado miúda (uso esta expressão em forma de carinho)! Obrigado, de coração. Conheci-te com 6 meses de atraso.
E no fim, ca fico eu, no meu lugar. Entregue a mim e perdido no meio das calçadas da cidade. Depois de algumas tentativas, e já escuro, ganho coragem e vou. Fico aqui parado do outro lado da rua. Numero é o 67, podia ser outro, mas não, este é o numero. Aqui…e ali dentro passa pela minha cabeça milhões de palavras que trocamos, imagens, momentos, sentires, sentimentos, sorrisos, partilha, companhia…esse lugar sonhado, vivido, sentido, mas não realizado. Aqui ao lado, ali mesmo do outro lado, mesmo ali. Muita coisa vem à minha mente…que fica deste lado, aqui dentro.
Guardo a imagem…serve para não esquecer

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Onde estás?


Minha vez de chegar

Foi coincidência, pura coincidência este desencontro da vida e estes encontros de datas. Faz um ano que esperava por ti quando tu chegaste e os meus olhos encontraram-se com os teus, foi ali o meu primeiro olhar, mas também respirar, abraço, sentir e teu momento. Foi ali que encontrei o meu cais. Encontrei-te à saída das chegadas. Será que as “saídas” são o melhor local para se encontrar alguém? Estranho, mesmo estranho! A minha vida tem sido feita de partidas e chegadas…e tanta gente me deixa nas saídas, e quase ninguém me espera nas chegadas. Curioso, nunca tinha dado conta disto…logo eu que quando comecei esta vida imaginava ter alguém especial à minha espera nas chegadas. Nunca recebi um abraço à chegada…
Em outra porta, em outra saída, é a minha vez de chegar. Não é a primeira vez que cruzo esta porta, mas convenci-me que a anterior não existiu. Saio devagar, com calma e calmo. Estou sereno. A minha parte racional diz-me que, ao exemplo de tantas outras chegadas, não tenho ninguém à minha espera. Racionalmente só pode ser assim! Olho à minha volta e não encontro ninguém, não te encontro. Isto de ser emocional trai-nos muitas vezes. Este foi o primeiro embate daquilo que ando à semanas a treinar: R a c i o n a l i z a r. Levanto o carro e estou a entrar quando alguém me pergunta se vou para a cidade. Eu digo que não. Quero estar sozinho e construir minhas imagens e dar forma às recordações das conversas e descrições que tinhas feito. Quero tornar real os lugares que criei no meu imaginário! Não quero ruído. Estrada fora lá vou, está sol, dia lindo e devagar deixo os meus olhos ver, meus sentidos absorver, deixo-me ir ou já nem sei se me deixo levar.
Sentado aqui à tua espera, desvio o meu pensamento para tudo que não sejas tu. Não quero fraquejar, não quero dor. Ainda mergulhado neste pensamento, não te vejo entrar e quando dou conta estas aqui ao pé de mim. Olho-te nos olhos e desvio o meu olhar. Não sei mais nada, não me lembro o que disse, não me lembro o que disseste, não me lembro como te cumprimentei, nada! Não me lembro de nada. Fiquei cego pelo olhar. O não te olhar nos olhos é para me proteger...já me expus demasiado, e isso não me da força, torna-me fraco, despido. Saímos e não me lembro de mais nada, sei por onde passei, mas não recordo, não me lembro de nada e apenas começo a voltar a mim já restaurante. Não sei se foi pelo sabor da sopa, se pelo cheiro a caril ou ainda se pelo teu olhar. Sim, volto a olhar-te nos olhos e desta vez foste tu que desviaste. Falo de qualquer coisa, conversa de circunstancia, e começo a pensar e a sentir uma coisa de cada vez. Finalmente penso devagar. Até ali pensei tudo ao mesmo tempo.
Saímos e começo a conduzir, tu aqui ao meu lado, falas mas não te consigo ouvir, a única coisa que escuto são umas vozes na minha cabeça e um sentimento estranho. Já não te vejo à meses, mas a minha sensação é que ainda ontem estive contigo. A distancia e o tempo reduziram-se a 24 horas. Ontem ainda estive contigo. É o que sinto. A noção de tempo e distancia é tão estranha...   
Estrada fora reconheço alguns lugares, antes estavam escuros, desta vez com luz. Começo a digerir, sentir, ouvir, interiorizar e a ver. Aos poucos começo a ficar naquele estado que sempre me deixavas. Aos poucos, estar aqui faz esquecer muita coisa e minha única preocupação era manter “distancia”. Aos poucos começo a ver, aquelas casas, aquelas estradas, paisagens, aquela gente…aquele mar, aquele verde aquelas cores, aqueles cheiros, aquele silencio…sento-me parte, sento-me aqui. Isto sou eu, isto também é meu. Explicar isso? Não se explica, sinto. Os lugares que me levas, as fotos, os cheiros, a brisa, o vento as árvores, tu…tu aqui, mesmo quando interrompido pelo telefone. Depois tu a conduzir (conduzes bem) os erros e os lugares que mudaram de lugar, os sorrisos...a calma imensa.
Recordo cada lugar como meu…alguns roubados em fotos e outros marcados na alma.
Os momentos e as curvas percorridas são magia…vão muito mais alem do que aqui escrevo…e do que posso/devo escrever.
Acabo a tarde a cumprir a promessa de um abraço pendente, possivelmente que tinha de ser dado á mais tempo. Cumpro o que prometo. Aqui enquanto esperamos tu falas, não abordaria se não fosses tu.… escuto, é importante, mas fico com tudo (quase tudo) o que sinto, vejo-te muito mais além das palavras. O silencio também é uma forma de comunicar.
Gostei de te conhecer “miúda” do cabelo laranja! Sabes aquela sensação quando vês alguém pela primeira vez e parece que já conheces? E isso! E fazes-me sentir um dos teus e senti-me dentro desse teu mundo, tão só teu. E assim, os três, la vamos estrada fora matando saudades, a caminho de saciar a fome. Como seria bom que pudéssemos saciar a saudade como fazemos com a fome.
Tudo é uma descoberta, os sabores, os locais, as pessoas, absorvo tudo ao meu redor com medo de perder alguma coisa.
O tempo corre rápido, demasiado rápido e já é noite. Mais noite ficou com aquele despedir. Eu para um lado, tu para o outro. Vontade de olhar para trás, mas não me posso permitir. Entro no hotel, sento-me por alguns minutos e volto a sair. Perco-me pelas ruas da cidade, passo por alguns lugares familiares, percorro as vielas, e sento-me num muro. Aquele muro! Ali à minha frente está o mar e com ele as minhas memorias de lugares que criei com base no que dizias. Eu aqui tão perto a lutar para que o meu pensamento não saia daqui, não se afaste do meu corpo…e fico aqui no meio deste turbilhão, a nadar contra a corrente a enfrentar a força das minhas fraquezas e a por à prova o que me tornei…e na busca do que sou.
O dia acabou, triste e frio como tantos outros, possivelmente este mais escuro, mas amanha é novo dia, amanha…sigo.


       

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Na primeira pessoa

Acordei já a noite ia alta. Dor forte no maxilar e com sintomas febris que poucos dias antes já tinha sentido. Uma semana praticamente sem dormir, dores permanentes, garganta, ouvido, sem conseguir alimentar-me, medicação ineficaz, cara transfigurada e sem ninguém perceber bem o que se estava a passar…e outras cenas que nem adianta comentar aqui. Estava fora do país em trabalho. Isto foi o começo de duas semanas verdadeiramente alucinantes.
Já vou saber o ponto onde estou, se isto acaba hoje ou só agora começa …mas isso também nem é importante.

O importante, e é o que me faz escrever estas palavras, é que a vida confronta-nos perante situações que nos fazem colocar no nosso verdadeiro lugar, no nosso sítio, perceber o que somos, o que verdadeiramente temos e onde estamos. A vida tem formas estranhas, raras, muitas vezes brutas de nos dar lições. Sem contemplações, sem meios termos e de forma directa e frontal. Não existe analgésico nem anestesia que nos valham. É assim a vida, e é assim que devemos ser. Duas semanas em que a vida me devolveu a mim mesmo e me fez centrar no que verdadeiramente já fui, no que sou e onde estou!
A vida obrigou-me a parar:
Obrigou-me a baixar a terra, por os pés no chão, respirar de forma pausada e a reduzir-me à pequenez e à humilde noção que sou pequeno…
Falou-me do que sou, e que o ser humano é a mais bela criação do universo, apesar das nossas misérias…
Fez-me pensar nas pessoas que se cruzaram na minha vida, em que de alguma forma não fui suficiente e não estive à altura…
Mostrou-me que gastei demasiadas energias em situações e pessoas que não valem a pena…e fui displicente com outras, essas sim, que valem a pena…
Fez-me ver quem verdadeiramente está comigo…e o que significo para elas (sendo que o significado é o menos importante).
Comprovou-me que não me defino verdadeiramente pelo que digo, mas sim pelos meus actos e pelo que faço…
Ensinou-me a importância de priorizarmos determinados aspectos na vida…
Demonstrou-me que o verdadeiro amor “se mede” pela forma que te dás e não na medida que recebes…
Fez-me sentir que não há nada mais importante que estar em paz comigo próprio e com a consciência tranquila de na vida sempre lutar por tudo o que acredito, sempre de forma verdadeira, leal…e dando melhor que se sabe dar. É daqui que vem a verdadeira paz!
Sussurrou-me que quando ando triste, de sentimos vazios, deprimido, é porque centro a vida naquilo que não tenho, naquilo que espero receber, naquilo que está exterior a mim….e a verdadeira realização está no que dás e naquilo que realmente és…no que tens dentro de ti
Demonstrou-me que a satisfação momentânea não completa, não me preenche, pelo contrário, desgasta e esvazia-me…o que preenche é o que perdura…
Fez-me ver que sempre que não fui fiel a mim mesmo e às minhas crenças, sofri sempre…
E "falamos" de outras muitas coisas mais….ou melhor, a vida relembrou-me de muito o que eu já sabia e que no fundo todos sabemos…mas não queremos ver.

O passado não nos trás nada de volta, não resolve nada, não nos muda…e até deixa marcas, mas olhar para trás, se bem enfocado, não é mau, bem pelo contrario. Ter noção de onde venho é fundamental para definir o que quero. Se não tenho noção do trajecto percorrido, não sei definir o rumo e o caminho a percorrer e continuarei à procura do nada e coisas vagas e difusas. Isto não é um lamento, apenas uma constatação e encarar as coisas como são. As minhas crenças, movem-me, mas não posso esquecer que a vida é agora...e tenho obrigação de fazer melhor. 

Andava empenhado numa procura urgente de respostas para a minha vida….e eis quando essa mesma vida resolveu-me mudar as perguntas....   



domingo, 10 de janeiro de 2016

Querido 2016...

Tu chegaste já lá vão 10 dias, e apesar da tentação, este ano não quero muito de ti. Não quero mudar nada que já não tenha tentado com o teu irmão, o 2015! Não quero definir nenhum novo objectivo, apenas deixar-te passar e deixar-me levar…deixar-me levar por coisas simples.
Quero ver o por do sol e não me deitar sem ver o seu nascer…
Quero comprar um bilhete, sem regresso…
Quero rir mais de mim próprio…
Quero trazer sempre o meu corpo junto da minha mente…

Quero-me por à frente de mim mesmo…