domingo, 27 de dezembro de 2015

Quem leva os meus fantasmas....

"De que serve ter o mapa, se o fim está traçado?
De que serve a terra à vista, se o barco está parado?
De que serve ter a chave, se a porta está aberta?
Para que servem as palavras, se a casa está deserta?

Quem leva os meus fantasmas?

Quem me salva desta espada…e me diz onde é a estrada?"

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Sun & Moon

Descubro no mais profundo de mim recantos misteriosos que nem o meu ser consegue entender, muito menos explicar. Sentir a irracionalidade dos sentimentos é o mesmo que tentar perceber o que existe para além do universo. Procurar racionalizar sentires é o mesmo que querer contar as gotas que existem no mar. Não adianta questionar, por em causa, duvidar ou mesmo racionalizar. Basta sentir, basta conter e “domesticar” os sentires. Não entendo tudo, não sei nada. Perco-me na minha descoberta e encontro-me sempre no silencio mais profundo do meu ser, daquilo que sou. Negar o que sou, pode ser o caminho para o abismo e nem sempre mudar é a chave. Na grande maioria das vezes, a maior mudança reside em aceitar o que sou e apenas ser fiel a mim mesmo, sem complexos. Eu sou dia e noite, sol e lua e encontrar o equilíbrio entre a luz e a escuridão é o segredo da vida, e está sempre dentro de mim! Sou fraco, mas estou em paz comigo mesmo!
Hoje é o dia mais pequeno do ano, ou será que hoje é a noite mais longa do ano?


Não chove, o céu está escuro e está frio…e recordo quando foste o sol e lua para mim. 



terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Lugares do nada

Levantou-se a custo, cambaleando pela noite, partiu dali como quem se despede de algo que na realidade nunca teve, sentimento estranho, incompreensível, difícil de explicar de tantas incongruências que carrega em si mesmo. Caminhou sem rumo e sem destino quando viu uma luz leve e desfocada ao fundo da noite. Era a luz que procurava, sentiu ali a força necessária que o fez andar estrada fora, mesmo sem saber o que o esperava para alem da seguinte curva. Sentia o chão como nunca sentiu, as pequenas pedras do caminho pressionavam a palma dos pés e geravam um misto de dor e de prazer, não sei se por ter outras dores mais intensas, ou por ter os pés molhados pela chuva daquela escuridão. À medida que se aproximava, a luz ficava mais nítida e intensa. Com passadas mais largas e apressadas, esgueirando-se por entre as gotas da chuva, finalmente chegou. Não chegou à luz, porque se apercebeu que à sua frente estava o mar. A luz estava mais alem, em pleno mar, possivelmente num barco à deriva, ou um barco de um pescador que puxava a sua rede na ânsia desesperada de encontrar alguma coisa. O som do mar bravo misturava-se com o bater da chuva na sua cabeça e com o canto do vento…uma estranha sinfonia.
Ali, imóvel, no lugar de ninguém, sentou-se! A chuva batia cada vez com mais força e o vento gélido entranhava-se pelo corpo. Estranhamente não sentia frio, apenas um calor imenso que o chegava a incomodar. Levantou a cabeça, passou a mão no rosto e sentiu a agua salgado do mar nos seus lábios. As mãos tremiam, não do frio, mas do sentimento inseguro do momento ou do cansaço que carregava das noites escuras e das sombras. Sim, a noite cansa e a sombra corroí. Ali, em frente do nada, no lugar de ninguém, percebeu que estava no seu lugar, ali era o seu lugar, o seu momento. Ele era o nada, sentado naquela pedra que estava no meio do nada. Ali percebeu a insignificância de tudo e a imensidão do nada. Pela primeira vez sentiu-se vazio e esgotado; vazio do seu eu e esgotado pelo nada. A olhar o mar, os olhos encheram-se e pela face caiu uma lágrima que se misturou com a agua salgada do mar. Apesar do vento frio, continuava com calor, já transpirava! Deitou cá para fora todo o pouco que ainda tinha…
Ali percebeu que tudo na vida se cura com agua salgada…e lembrou as palavras do poeta: “A cura para tudo é agua salgada – agua do suor, das lágrimas e do mar”
Levantou-se para regressar, regressar àquele lugar estranho onde tudo lhe parecia distante e que lhe chamavam “casa”. Estrada fora caminhava quando começou a sentir frio, e com ele veio a noção que a vida corre, mas que nada mais seria como antes, nada voltaria a ser igual. A agua salgada lavou-o, limpou-o de tudo o que era, mas o sal entranhou-se na sua pele…perdeu o olfacto e a capacidade de acreditar. O sal conservava-o, mas ficou amargo e pálido. Construiu um falso sorriso e caminhou…

Estrada fora, apenas ficaram as marcas das pegadas na lama da estrada…

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Paradoxos

" A capacidade de estar sozinho é a capacidade de amar. Isso pode parecer paradoxal, mas não é. Essa é uma verdade existencial: somente aquelas pessoas que são capazes de estar sozinhas, são capazes de amar, de compartilhar, de ir profundamente ao encontro da outra pessoa, sem reduzir o outro a uma coisa e sem se tornar "viciado" no outro. Eles permitem que o outro seja absolutamente livre, porque eles sabem se o outro partir, eles serão felizes como agora . Estar sozinho é um lugar de encontro, de chegadas e partidas. Só se encontra e só volta a partir de novo, quem tem a capacidade de se parar!"
"Being in Love"

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Menu da vida...

“Adoro ouvir tua voz. Sinto que ao longo dos últimos dias fui lentamente redescobrindo em mim um sentimento nobre. Um sentimento que provavelmente nunca vais saber que nutri por ti. Gostava de te ter conhecido em outras circunstâncias. Engraçado como só agora percebo o que sinto por ti. Agora que a probabilidade de nos cruzarmos é diminuta. Agora que provavelmente nunca nos vamos ver. Mas tenho de te confessar uma coisa, mesmo tu não sabendo que é para ti. Todas as vezes que me meti contigo, todas as vezes que te contradisse, estava a alimentar esse sentimento. A vida não é perfeita, mas eu adoro viver (aliás, quando eu falecer gostava que escrevessem na minha lápide “Aqui jaz…que morreu contra a sua vontade”) especialmente por poder descobrir este sentimento, estas sensações. Podia na verdade dizer o que sinto por ti, mas não tenho necessidade de me expor e de te magoar. Não tenho esse direito. Tenho minha vida que declaradamente vai na direção oposta à tua. A tua vida está a começar. A minha vai a meio. Tens sonhos, ambições, o mundo à tua espera. Eu já percorri metade do mundo, não sabia que era à tua procura. Ficas para sempre na minha alma. Fizeste-me tornar a sonhar. Agora posso dizer sem magoar a mais ninguém “estou apaixonado por ti””

Texto escrito num menu de um restaurante...e um ano depois, tal como disse (tweet) então..."Por mais que custe, está na hora de não me aproximar e ocupar o meu lugar".  Ao que parece, o mundo mudou...eu é que não!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Tempo

"As pessoas falam tanto de tempo. como se ele curasse tudo. Ele também destrói, corroí, separa e muda as pessoas. O tempo que trás, é o mesmo que leva. Leva momentos, lembranças, amigos e amores. O tempo tem pressa."

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Partidas e chegadas...

Dezembro…início de Dezembro, já lá passaram anos. Sexta-feira ao fim do dia, muito frio, semana longa e complicada, exausto, só ansiava por chegar a casa. O lugar 14C seria o que me traria de Londres até ao Porto. Sabes quando vês uma pessoa e sem que te diga nada sentes uma proximidade com essa pessoa? Foi isso…foi isso que senti, com a pessoa que estava sentada ao meu lado. Seu olhar transparente e seu sorriso sincero chamou-me atenção.
“Quase caíamos na fila 13” (avião não tinha fila 13) disse-lhe eu. Ele soltou gargalhada. A viagem correu em amena cavaqueira, trabalho, coisas banais e até descobrimos que tínhamos dois nomes iguais…e assim chegamos ao Porto. Ele residia em Lisboa, mas por razoes profissionais ficaria uma noite no Porto e só depois regressaria a Lisboa. Aproveitando que estava só, disponibilizei para o deixar no Hotel. Inicialmente não aceitou, mas face a minha insistência, aceitou com a condição de me pagar a famosa francesinha!  
E foi assim, foi assim do nada que conheci o Pedro, que se tornou num grande amigo, aqueles verdadeiros amigos. Tínhamos formas diferentes de ver algumas coisas, mas partilhávamos comungávamos o fundamental. Abriu-me as portas de sua casa e da sua família, deu-me a conhecer o seu mundo e aprendi muito com a sua forma de encarar a vida. Nos últimos meses fui ele que me segurou…amarrou-me ao cais e não me deixou ir.
O Pedro era feliz, era uma pessoa feliz e tinha uma família feliz!

O Pedro partiu! Desconfio que Deus gosta de pessoas boas….como o Pedro. É a única explicação que tenho para ver partir um ser humano fantástico que ainda nem tinha chegado à ternura dos 40 e deixa família também ela incrível…e uma data de sonhos por realizar.

Estejas onde estiveres, quero agradecer e celebrar! Celebrar a vida, celebrar a tua vida apesar de já não estares entre nós. Agradecer a tua amizade, humanidade, presença, alegria, exemplo, disponibilidade, tua força, frontalidade, lealdade, sorrisos, calma, ponderação e de me fazer ver o outro lado das coisas quando necessitei.
Vou ter saudades das nossas conversas, da tua palavra amiga, das tuas mensagens “és grande” ou “olhos na bola”….ficam anulados teus sonhos e o que tínhamos em conjunto…ficou pendente esse maldito jantar que não devíamos ter marcado, a nossa viagem e aquela promessa…fica tanto por dizer Pedro...ficou tanto por dizer. Obrigado companheiro! Desculpa…desculpa Pedro! 

Sabes, fazes-me falta! Hoje…









Até um dia!