domingo, 1 de novembro de 2015

Diz-me o que sou para ti...

...devia ser esta a tua pergunta.
Amar também é puxar o outro quando ele se desvia, alinharmo-nos, questionar, falar, ser fontal. Nunca se pode deixar aumentar a dúvida quando o nosso sentimento é puro e verdadeiro (já estou a falar de mim). Comecei por aí, começamos por aí! Eu sei quem sou, conheço-me e daí “quando disser ou fizer alguma coisa que te deixe na dúvida, pergunta! Não penses.” Lembras? Possivelmente nem lembras, mas é um momento que tenho gravado dentro…foi único! Perdi-me nas minhas certezas e tu perdeste-te nessas mesmas certezas!  Tu aí, o meu suporte, meu amparo, a minha razão, minha âncora, minha raiz…eu agarrado a ti, quando tu já me soltavas ao vento. Não deixa de ser irónico, mas de certa forma tem sentido o que dizes, o que já não entendo [nem vou entender], porque face à “pedra que tinhas no teu sapato”, simplesmente não falaste! Alimentaste a dúvida, e quando esta se alimenta, ela cresce, ela cega e deixamos de ver, perdemos a noção da realidade e começamos a valorizar mais o que separa daquilo que junta. Nunca disse que eras um erro, foste a minha maior certeza. “Já errei tudo o que tinha que errar”, no contexto que foi dito só significava que estava de corpo e alma contigo, não estava metido num caminho sem destino com vontade de “experimentar” e saltar fora se não desse. Comecei com medos, inseguranças, desapegado…mas rápido ganhei certezas. Agarrei-me a ti, ficaste em mim! Somos responsáveis pelo que dizemos, não somos responsáveis pelo que o outro escuta ou entende…e quem escuta, se tem duvidas, apenas tem de perguntar! Um oceano de mal entendidos, que podiam ter sido tão facilmente resolvidos...
Errei, sim errei! Claro que errei! Erro de esperar, esperar o momento que na minha cabeça fazia sentido, por querer encontrar momentos perfeitos para poder expressar tudo o que cá ia dentro. Errei o não exteriorizar o quanto eras o centro de mim! Errei quando te quis proteger (já nem sei o que isso significa). Errei não ter definido esses objetivos que fui construindo, porque apenas os queria dizer olhos nos olhos, esses mesmos objetivos que também tu os sentias e também não dizias. Errei por me ter apoiado em ti (e nem imaginas quanto), errei por não ter a capacidade de discernir e deixar-me perder naquilo que se passava a minha volta.


Pode parecer, mas não quero ter razão. Não me serve de nada, nunca pretendi ter, apenas quero perceber e sair deste ponto onde estou. 

[ Continua…]

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